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O erro mais comum na exaustão de churrasqueiras de edifícios

Responsável técnico
Eng. Heliel
Publicado em
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6 min

O sistema pode estar bem dimensionado e ainda assim frustrar o usuário. O que acontece quando a operação fica de fora do projeto?

Corrente de seis elos representando as etapas de um sistema de churrasqueiras: concepção, dimensionamento, execução e testes no grupo da engenharia, e orientação e uso real, tracejados, no grupo da entrega Engenharia obra e projeto Entrega quem vai usar Concepção arquitetura e premissas Dimensionamento boca, coifa, seção, altura Execução percurso, shaft, terminal Testes critérios e registro Orientação como operar, explicado Uso real o dia a dia do morador
A corrente completa de um sistema de exaustão. Os elos tracejados, orientação e uso real, são os que mais ficam de fora do projeto. Eles não substituem os anteriores: fazem parte da mesma entrega técnica.

Em muitas obras de pequeno e médio porte, a exaustão das churrasqueiras ainda é resolvida sem um estudo técnico específico. Quando o dimensionamento é feito, já considero um avanço. Mas existe um detalhe que pode passar despercebido mesmo nos projetos que receberam atenção.

Quem vai usar essa churrasqueira sabe o que precisa fazer para ela funcionar nas condições previstas?

É uma pergunta simples. E justamente por isso pode nem aparecer nas reuniões de projeto, nas plantas ou no memorial descritivo.

Nos desenhos, discutimos boca, coifa, seção, altura, percurso da chaminé, shaft, terminal e, se necessário, exaustores. Tudo importante. Só que a churrasqueira não será operada pelo projetista, nem pelo técnico que acompanhou os testes. Será usada por um morador, talvez sem nenhuma familiaridade com o comportamento da fumaça.

Uma corrente não é mais forte que seu elo mais fraco

A comparação é conhecida: uma corrente pode ter vários elos resistentes, mas sua capacidade fica limitada pelo elo mais fraco.

Num sistema de exaustão, gosto de pensar nessa corrente como uma sequência que vai da ideia inicial até o uso cotidiano. Se o dimensionamento é adequado, a execução é cuidadosa, mas ninguém definiu como o sistema deve ser operado ou como isso será explicado ao usuário, existe uma fragilidade importante.

E atenção: o elo fraco não é o morador. O problema aparece quando o funcionamento depende de procedimentos que não foram pensados, simplificados ou comunicados.

O teste deu certo. E depois?

Imagine uma churrasqueira em apartamento com área gourmet fechada por esquadrias. Durante o projeto, admitiu-se uma determinada condição de reposição de ar. No uso cotidiano, o morador mantém o ambiente fechado, acende o carvão e espera que a fumaça siga pela chaminé.

Dependendo da configuração da churrasqueira e do ambiente, a circulação de ar pode prejudicar a tiragem ou a captação da fumaça. Em outras situações, a origem do problema pode estar em dimensões, desvios, saída da chaminé, vento, execução ou combinação de fatores.

Se aparece retorno de fumaça, é tentador apontar imediatamente a chaminé ou sugerir um exaustor mais potente. Mas antes precisamos saber se o sistema está sendo utilizado dentro das condições para as quais foi concebido e, principalmente, se essas condições são razoáveis no uso normal do apartamento.

Se o problema já apareceu em um edifício entregue, leia também por que o diagnóstico de fumaça não começa pelo orçamento.

Não estou dizendo que basta mandar abrir ou fechar uma janela. É preciso considerar o ambiente e a forma como as pessoas vão utilizar equipamento. Às vezes é uma questão de projeto, e não apenas de instrução.

A mesma lógica vale para instalações com exaustão mecânica, comandos individuais, dampers ou dispositivos de controle. Um sistema coletivo pode depender de uma sequência de acionamentos e de condições de funcionamento que precisam estar claras para a construtora, a administração e os usuários.

Nota técnica

Um sistema que funciona nas mãos de quem o conhece precisa continuar fazendo sentido nas mãos de quem vai utilizar o equipamento.

Isso começa, às vezes, no projeto, não no manual

O manual também é muito importante e, volta e meia, acaba passando despercebido. Mas, na minha opinião, a pergunta sobre o usuário deveria entrar muito antes da entrega das chaves.

Para quem está projetando a arquitetura, ela muda decisões práticas.

Perguntas que mudam decisões de arquitetura

  • As esquadrias permitem a ventilação necessária?
  • Existe alguma interferência com outros sistemas de exaustão do ambiente?
  • O comando do exaustor, quando houver, ficará visível e intuitivo?
  • Há acesso previsto para inspeção e manutenção?
  • Nos sistemas coletivos, o que acontece quando diferentes unidades utilizam suas churrasqueiras em momentos distintos?

A gente sabe que nem todas essas respostas pertencem ao projeto de arquitetura. Mas a arquitetura cria as condições, ou limitações, para que as respostas técnicas sejam viáveis.

É por isso que prefiro discutir essas interfaces enquanto ainda é possível ajustar a solução. Depois que o shaft está fechado, as esquadrias foram instaladas e o edifício está prestes a ser entregue, as alternativas costumam ficar mais difíceis e mais caras.

Na prática

Um manual de uso não corrige uma churrasqueira mal dimensionada, um percurso inadequado ou um defeito de execução. A orientação vem junto da engenharia, nunca no lugar dela.

O que eu observaria antes de entregar a obra

Não basta fazer um acendimento rápido e concluir que a churrasqueira está aprovada. Os testes precisam ter critérios compatíveis com o projeto e registrar em quais condições o sistema foi observado.

Antes da entrega, verifique

  • Condições de teste: identificar ventilação, configuração do ambiente, acionamentos e demais premissas relevantes.
  • Comportamento observado: avaliar o funcionamento durante as etapas previstas de utilização, incluindo o acendimento quando aplicável.
  • Operação compreensível: verificar se comandos e procedimentos necessários podem ser seguidos por uma pessoa que não participou do projeto.
  • Registro e orientação: documentar as condições verificadas, os resultados e as instruções que serão entregues aos responsáveis e usuários.

Em instalações coletivas, a verificação pode exigir condições adicionais de operação e simultaneidade, definidas conforme a solução adotada. Um teste isolado de uma única churrasqueira não demonstra, por si só, o comportamento de toda a rede.

Isso não é burocracia para aumentar o volume de documentos. É uma maneira de reduzir a distância entre o que foi concebido e o que vai acontecer depois da entrega.

O projeto só termina na prática?

Quando pensamos em problemas de fumaça, nossa tendência é procurar a falha naquilo que podemos medir: o diâmetro, a altura, a vazão, a pressão, o equipamento.

Precisamos fazer essas verificações. Mas vale acrescentar outra pergunta: como esse sistema foi pensado para ser usado?

Para mim, o melhor caminho é desenvolver soluções que dependam o mínimo possível de procedimentos complicados. E, quando alguma ação do usuário for indispensável, que ela seja simples, viável, testada e explicada.

Uma churrasqueira não precisa apenas funcionar durante a visita técnica. Precisa ter condições de funcionar no cotidiano de quem vai preparar o churrasco.

Em que fase está o seu edifício?

O caminho muda bastante se a arquitetura ainda está aberta ou se a obra já foi entregue.

Ainda na fase de projeto

O Churrasqueira Antes da Obra reúne pré-dimensionamento, orientações e critérios para decidir churrasqueira, chaminé e shaft antes de fechar a arquitetura. É uma ferramenta de anteprojeto e não substitui um projeto especializado quando ele for necessário.

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