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Diagnóstico de fumaça não começa pelo orçamento

Responsável técnico
Eng. Heliel
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5 min

Em edifícios com retorno de fumaça, a primeira pergunta costuma ser quanto custa consertar. Antes dela vem outra: o que exatamente está causando esse comportamento?

Corte de um edifício de cinco pavimentos com duas prumadas de chaminé, marcando os apartamentos com e sem ocorrência de fumaça e uma câmera de vídeo endoscopia descendo por uma das chaminés Terminais saídas na cobertura Com ocorrência mapeados na triagem Vídeo endoscopia inspeção por dentro do duto Sem ocorrência também contam a história Prumada chaminé que atende a coluna
Exemplo ilustrativo de perícia em sistema de churrasqueiras no edifício. Círculos cheios marcam apartamentos com fumaça e círculos vazados, apartamentos sem ocorrência. A linha tracejada é o cabo da câmera de inspeção. A distribuição já sugere por onde investigar.

Hoje eu estava conversando com um cliente sobre uma situação que aparece bastante no nosso trabalho.

Ele queria entender como funcionaria a perícia em um edifício com problemas de fumaça nas churrasqueiras. Até aí, normal. Mas, naturalmente, a conversa chegou rápido à pergunta que quase sempre aparece:

O que se ouve na obra

“Depois da visita vocês já conseguem dizer o que precisa fazer e quanto vai custar?”

Eu entendo a pergunta. Quem tem um problema quer saber qual é a solução, quanto custa e quando aquilo termina.

Só que, quando estamos falando de fumaça, exaustão, churrasqueiras e chaminés em edifícios, nem sempre existe uma resposta responsável logo na primeira visita.

A comparação com a consulta médica

Foi então que fiz uma comparação que ajudou bastante naquela conversa. Eu disse para ele pensar em uma consulta médica.

Quando a gente chega ao médico, normalmente começa contando o que está sentindo. Onde dói, quando começou, em que situação piora, se acontece sempre ou só às vezes.

O médico escuta, faz algumas perguntas, examina e começa a formar hipóteses. Dependendo do caso, pode pedir um exame.

Talvez o primeiro exame já mostre claramente o problema. Mas também pode não mostrar.

Pode ser necessário um raio-X. Depois, quem sabe, uma ultrassonografia. Em algumas situações, um exame mais detalhado. Cada etapa vai eliminando possibilidades e aumentando a segurança do diagnóstico.

Em edifício, eu vejo o diagnóstico de fumaça de maneira muito parecida.

Primeiro precisamos entender o sintoma

Antes de olhar para a chaminé ou pensar em trocar qualquer equipamento, eu preciso entender como o problema acontece.

Perguntas do levantamento inicial

  • Quais apartamentos apresentam fumaça?
  • Em quais pavimentos?
  • Acontece em todas as churrasqueiras ou somente em algumas?
  • O problema ocorre sempre ou depende do horário, do vento, da quantidade de churrasqueiras em uso ou de portas e janelas abertas?
  • Existem apartamentos que nunca tiveram ocorrência?
Nota técnica

A distribuição das reclamações dentro do prédio já começa a contar uma história.

Por isso, uma das ferramentas que utilizamos é a triagem de ocorrência de fumaça.

Na prática, ela funciona como um mapeamento do edifício. Em vez de partir diretamente para uma intervenção, organizamos as informações para entender onde o problema aparece, com que frequência e em quais condições.

Muitas vezes, esse desenho já ajuda a indicar caminhos de investigação. Mas ele ainda não é necessariamente o diagnóstico final.

Depois vêm os “exames”

Com as primeiras hipóteses organizadas, começa a etapa de aprofundamento. Dependendo do comportamento identificado, pode ser necessário:

  • fazer inspeções de campo;
  • visitar apartamentos;
  • verificar as churrasqueiras individualmente;
  • analisar entradas de ar;
  • observar conexões;
  • avaliar o sistema de exaustão.

Em outros casos, a investigação pode incluir uma vídeo endoscopia da chaminé. Esse tipo de inspeção permite enxergar condições internas que simplesmente não aparecem olhando a churrasqueira por baixo ou a saída da chaminé na cobertura.

Na prática

Eu não peço um exame porque quero complicar o processo. Eu peço porque determinada hipótese precisa ser confirmada ou descartada.

E também pode acontecer de uma primeira inspeção não ser suficiente.

Isso não significa que o diagnóstico falhou. Significa apenas que ainda não existem elementos técnicos suficientes para fechar uma conclusão com responsabilidade.

O parecer vem depois da investigação

Só depois dessa sequência faz sentido falar em parecer técnico.

É quando reunimos as informações das entrevistas, o mapeamento das ocorrências, as inspeções realizadas e os comportamentos observados para construir uma explicação tecnicamente consistente para o problema.

Eu gosto dessa comparação com o médico porque o parecer seria justamente o diagnóstico. E diagnóstico não é a mesma coisa que tratamento.

Primeiro precisamos entender o que está acontecendo. Depois podemos discutir o que deve ser feito.

Essa diferença parece óbvia, mas na prática muita gente acaba pulando uma etapa. O prédio apresenta retorno de fumaça e logo aparecem as sugestões:

  • alguém sugere trocar o exaustor;
  • outro recomenda aumentar a chaminé;
  • outro quer colocar um chapéu diferente;
  • outro propõe quebrar parte do sistema.

Pode ser que alguma dessas medidas seja necessária. Mas também pode ser que nenhuma delas ataque a causa principal.

Churrasqueira, coifa, entrada de ar, dutos, chaminé, vento e condições de uso funcionam como um sistema. Mexer em uma peça isolada sem entender o conjunto pode simplesmente deslocar o problema, ou acrescentar um problema novo.

E só então vem a terapia

Depois que existe um diagnóstico suficientemente consistente, entramos naquilo que, seguindo a comparação médica, poderíamos chamar de terapia. É a etapa das recomendações.

O que as recomendações precisam responder

  • O que precisa ser corrigido?
  • Que intervenção faz sentido?
  • O problema exige alteração física?
  • É necessário ajustar algum componente?
  • Existem verificações adicionais antes da obra?
  • Qual é a prioridade de cada intervenção?

É somente nesse momento que um orçamento de correção começa a ter base técnica mais sólida.

Antes disso, qualquer valor pode acabar sendo apenas uma estimativa para uma solução que ainda não sabemos se é a correta. E eu prefiro explicar isso claramente para o cliente.

A ordem das etapas

  1. Entender o sintoma: onde, quando e em quais condições a fumaça aparece.
  2. Mapear as ocorrências no edifício com a triagem.
  3. Aprofundar com inspeções de campo e, se preciso, vídeo endoscopia.
  4. Reunir tudo no parecer técnico, que é o diagnóstico.
  5. Definir as recomendações, que são a terapia.
  6. Só então orçar a correção.

A primeira pergunta não é quanto custa

Em diagnóstico de fumaça, a pergunta inicial não deveria ser “quanto custa consertar?”. A primeira pergunta é:

Nota técnica

O que exatamente está causando esse comportamento?

Depois que essa resposta está bem construída, discutir a solução fica muito mais objetivo, e a chance de gastar dinheiro atacando o problema errado diminui bastante.

Na minha experiência, investigar primeiro quase sempre é mais prudente do que começar quebrando.

Seu edifício tem fumaça voltando nas churrasqueiras?

O caminho depende do tipo de caso e de quem está conduzindo a investigação.

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