Coifa, Chaminé e Terminal: Por Que a Churrasqueira Não Puxa Bem?

Se você ainda está na fase de projeto, vale começar pelo artigo sobre o que saber antes de construir uma churrasqueira tradicional de alvenaria.

Quando a churrasqueira começa a voltar fumaça, a primeira reação de muita gente é pensar no exaustor.

“Vamos colocar um motor que resolve.”

Mas nem sempre o problema está na falta de exaustor.

Em muitos casos, o problema está no conjunto ou em uma das partes: coifa, chaminé, terminal, entrada de ar, altura disponível, geometria e até nas interferências do entorno.

A churrasqueira precisa conduzir a fumaça de forma natural e organizada. Quando esse caminho tem obstáculos, proporções ruins ou perdas excessivas, o sistema começa a falhar.


A coifa é mais importante do que parece

A coifa tem a função de captar a fumaça gerada na câmara de fogo e encaminhá-la para a chaminé. Quando ela é mal dimensionada, parte da fumaça pode escapar para o ambiente antes mesmo de entrar no duto. Isso acontece bastante quando:

  • a coifa é pequena demais;
  • a coifa é grande demais
  • a geometria interna não favorece a subida da fumaça;
  • existem degraus ou obstáculos no caminho;
  • a transição para a chaminé é mal feita;
  • a boca da churrasqueira é grande demais para o sistema.

A coifa não é apenas um acabamento superior da churrasqueira. Ela é uma peça funcional.


Coifa metálica, concreto ou alvenaria?

Existem diferentes formas de executar uma coifa.

A coifa metálica costuma permitir uma geometria mais limpa e uma superfície interna mais lisa, o que pode favorecer a condução da fumaça.

A coifa de concreto também pode funcionar bem, desde que tenha proporções adequadas e boa transição para o duto. Já a coifa em alvenaria exige cuidado extra. Quando feita com tijolos ou elementos que criam muitos degraus internos, esses ressaltos podem atrapalhar a subida da fumaça.

Mas isso não significa que toda coifa em alvenaria seja ruim. Significa que a execução precisa ser bem pensada. Na prática, a fumaça prefere caminhos mais contínuos, regulares e sem muitas perdas.


A chaminé precisa trabalhar junto com a coifa

Não adianta ter uma coifa aparentemente boa se a chaminé não ajuda.

A chaminé é responsável por conduzir a fumaça para fora da edificação. Para isso, ela precisa ter dimensões, altura e percurso compatíveis com a churrasqueira. Problemas comuns de chaminés:

  • chaminé baixa demais;
  • duto estreito demais;
  • excesso de curvas;
  • desvios mal planejados;
  • rugosidade interna elevada;
  • vazamentos;
  • saída mal posicionada.

Cada um desses pontos pode reduzir o desempenho.

Às vezes o problema não está em um único erro grande, mas em vários pequenos erros somados.


Duto metálico ou chaminé de alvenaria?

As duas soluções existem. Mas os dutos metálicos costumam ter algumas vantagens práticas:

  • aquecem com mais facilidade;
  • possuem superfície interna mais lisa;
  • facilitam manutenção;
  • ajudam na estanqueidade;
  • permitem uma geometria mais regular.

Em muitos projetos, principalmente quando há percursos maiores ou edifícios com várias churrasqueiras, essas características podem fazer diferença.

Já chaminés em alvenaria podem funcionar, mas exigem atenção à geometria, acabamento interno, seção útil e vedação.

O ponto principal é não escolher o duto apenas pelo costume da obra. Ele precisa atender ao funcionamento da churrasqueira.


O terminal da chaminé também pode atrapalhar

Muita gente escolhe o terminal apenas pela aparência. Mas o terminal influencia a saída final da fumaça.

Alguns modelos têm melhor comportamento com vento e favorecem a exaustão. Outros podem criar resistência ou até prejudicar o funcionamento em determinadas condições.

Em edifícios, esse cuidado é ainda maior. Na cobertura, podem existir vários terminais, interferências entre saídas, vento lateral, obstáculos próximos e diferenças de altura.

O terminal não resolve um sistema mal dimensionado. Mas um terminal ruim pode piorar bastante um sistema que já está no limite. Ou até mandar agua abaixo um sistema conjunto inferior que foi bem dimensionado.


E o exaustor?

O exaustor pode ajudar em alguns casos. Mas ele não deve ser usado como primeira tentativa sem avaliação. E muitos condomínios vão gastar com exaustor, e sofrer com os problemas que eles trazem, antes de saber se ele é realmente necessário.

Antes de instalar um equipamento, é importante verificar:

  • se a coifa capta bem a fumaça;
  • se a chaminé tem seção adequada;
  • se a altura é suficiente;
  • se há entrada de ar no ambiente;
  • se o terminal está correto;
  • se existem curvas ou desvios excessivos;
  • se há interferência de vento;
  • se o problema acontece sempre ou só em algumas condições.

Instalar exaustor sem entender a causa pode gerar custo desnecessário e, em alguns casos, criar novos problemas.

Churrasqueira é sistema. Não adianta tratar apenas uma peça isolada.


Por que algumas churrasqueiras funcionam em um dia e falham no outro?

Essa é uma situação comum. A pessoa usa a churrasqueira em um dia e funciona bem. Em outro dia, volta fumaça. Isso pode estar relacionado a fatores como:

  • vento;
  • diferença de temperatura;
  • pressão no ambiente;
  • portas e janelas fechadas;
  • uso simultâneo de outros equipamentos;
  • condição de aquecimento da chaminé;
  • posição do terminal.

Por isso, o diagnóstico precisa considerar o comportamento real da churrasqueira, e não apenas uma foto ou uma medida isolada.


Quando o problema aparece em apartamento

Em apartamentos, a situação pode ser mais sensível. Além da churrasqueira da própria unidade, podem existir outros dutos, outras unidades, sistemas próximos e interferências na cobertura.

Problemas comuns incluem:

  • fumaça retornando para o apartamento;
  • cheiro passando entre unidades;
  • baixa exaustão;
  • reclamações recorrentes;
  • funcionamento irregular.

Nesses casos, uma solução improvisada pode piorar a situação. É preciso entender o sistema como um todo.


Consultoria técnica

Se a sua churrasqueira já apresenta retorno de fumaça, baixa exaustão ou funcionamento irregular, talvez o caminho não seja sair instalando exaustor ou quebrando a obra sem critério.

Uma consultoria técnica ou ferramenta adequada pode ajudar a avaliar coifa, chaminé, terminal, entrada de ar e condições do ambiente para identificar possíveis causas do problema.

Cada obra tem suas particularidades. Antes de investir em soluções aleatórias, vale a pena entender o que realmente está acontecendo.

Se você está com algum destes problemas e é profissional vale a pena conhecer o DEFI. Ele é um roteiro técnico para engenheiros, arquitetos e profissionais investigarem retorno de fumaça em churrasqueiras de edifícios.

Já se você é o proprietário ou síndico, pode ser interessante solicitar a consultoria técnica e evitar decisões e gastos no escuro.


Conclusão

  1. Quando uma churrasqueira não puxa bem, o problema pode estar em vários pontos.
  2. Coifa, chaminé, terminal, altura, entrada de ar e vento precisam ser avaliados em conjunto.
  3. O exaustor pode ser uma solução em alguns casos, mas não deve ser tratado como resposta automática.
  4. Antes de mexer, quebrar ou comprar equipamento, o mais prudente é entender o sistema.
  5. Na prática, um bom diagnóstico costuma sair mais barato do que várias tentativas sem direção.
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